Invadiram a sua conta gov.br: o que fazer
Recupere a senha pelo aplicativo Meu gov.br, com validação facial ou pelo acesso do banco credenciado. Logo depois, entre em Segurança da conta e encerre os dispositivos conectados. Só então confira o que foi feito no seu nome em INSS, Receita e Carteira de Trabalho, registre boletim de ocorrência e avise cada órgão envolvido.
A conta gov.br é a chave de quase todo serviço público digital: benefício, imposto, carteira de trabalho, multa, exame de trânsito. Quem entra nela não rouba dinheiro de dentro dela — usa os serviços que ela abre. Por isso a ordem importa: primeiro retomar o acesso, depois expulsar quem está dentro, só então olhar o estrago.
1. Sinais de que alguém entrou
- A senha parou de funcionar sem que você a tenha trocado.
- Chegou código de verificação que você não pediu.
- O e-mail ou o telefone cadastrados mudaram.
- Apareceu pedido de benefício, empréstimo consignado ou saque que você não fez.
- Alguém autorizou um aplicativo ou uma empresa a acessar seus dados.
2. Retomar o acesso
- Abra o aplicativo Meu gov.br ou a tela de entrada do portal e escolha Esqueci minha senha.
- Prefira a validação facial, quando disponível para você: ela compara o seu rosto com a foto da base oficial e é o caminho mais difícil de fraudar.
- Se não der, use a opção de entrar pelo internet banking de um banco credenciado que já tenha os seus dados.
- Crie uma senha longa e exclusiva, que não exista em nenhum outro serviço.
- Se nenhuma opção funcionar, procure atendimento presencial em uma unidade que faça o cadastro, levando documento com foto.
3. Fechar as portas que ficaram abertas
- Em Segurança da conta, abra a lista de dispositivos conectados e desconecte tudo o que você não reconhece.
- Ative a verificação em duas etapas e guarde os códigos de recuperação em lugar seguro.
- Confira e-mail e telefone cadastrados e corrija o que foi alterado.
- Revise a lista de aplicativos autorizados e revogue os desconhecidos.
- Troque a senha do e-mail que recebe os avisos da conta. Sem isso, o invasor volta pela recuperação.
4. Conferir o que fizeram no seu nome
- Meu INSS — veja extrato de pagamentos, pedidos abertos e, principalmente, empréstimo consignado contratado sem você.
- Receita Federal — confira declarações, restituição e dados cadastrais do CPF.
- Carteira de Trabalho Digital — vínculos e pedidos de seguro-desemprego.
- FGTS e Caixa — solicitações de saque.
- Detran e serviços de trânsito — indicação de condutor e transferência de pontos.
5. Registrar e cobrar
- Faça boletim de ocorrência, presencial ou pela delegacia eletrônica do seu estado, descrevendo o que foi acessado.
- Conteste cada movimentação no próprio órgão, anexando o boletim e pedindo protocolo.
- Em empréstimo consignado indevido, avise também o banco e peça a suspensão dos descontos.
- Sem resposta, leve à ouvidoria do órgão e registre em consumidor.gov.br quando houver empresa envolvida.
- Guarde prints de tudo com data e hora.
Perguntas frequentes
Perdi o acesso ao e-mail e ao telefone da conta. Ainda dá para recuperar?
Dá. A validação facial pelo aplicativo Meu gov.br e a entrada por banco credenciado não dependem do e-mail nem do telefone antigos. Se nenhuma funcionar, resta o atendimento presencial.
Trocar a senha basta para expulsar o invasor?
Não. É preciso também desconectar os dispositivos na área de segurança da conta e conferir se o e-mail e o telefone de recuperação continuam sendo os seus.
Alguém cobra para recuperar conta gov.br. É confiável?
Não. Criar, recuperar e aumentar o nível da conta é gratuito nos canais oficiais. Qualquer cobrança por isso é golpe.
Fizeram empréstimo consignado no meu nome. O que faço primeiro?
Conteste no banco e no INSS, peça o bloqueio de novos empréstimos na sua conta e registre boletim de ocorrência para instruir os dois pedidos.
Como sei qual é o nível da minha conta?
O nível bronze, prata ou ouro aparece no perfil dentro do aplicativo Meu gov.br. Níveis mais altos exigem validação mais forte e liberam mais serviços.
Não informe por telefone o código de seis dígitos que chega no seu celular. Nenhum órgão público pede esse código, e quem o recebe entra na sua conta.