Como saber se um celular usado é roubado
Digite *#06# no teclado do celular para ver o IMEI, confira se ele bate com a etiqueta e a caixa, e consulte a situação desse número na base da Anatel. Peça a nota fiscal, confirme que a conta Google ou o iCloud foram removidos e teste um chip dentro do aparelho antes de pagar.
Celular com registro de roubo entra numa base nacional e perde o acesso à rede de todas as operadoras: ele vira um aparelho de Wi-Fi. Como o bloqueio pode ser pedido depois da venda, conferir antes de pagar é o único momento em que você tem poder de barganha.
1. O IMEI, e por que são dois
- No teclado de chamadas do aparelho, digite *#06#. O IMEI aparece na hora, sem precisar ligar.
- Aparelho de dois chips mostra dois IMEI. Anote os dois.
- Compare com o número da etiqueta da caixa e com o que está em Configurações → Sobre o telefone (Android) ou Ajustes → Geral → Sobre (iPhone).
- Se os números não baterem entre si, pare a negociação. IMEI adulterado é sinal de aparelho de origem irregular.
2. As consultas que valem
- Anatel — a agência mantém a consulta pública de situação do aparelho, que mostra se o IMEI está regular, bloqueado por roubo ou furto, ou se não é homologado no Brasil.
- Operadora — em algumas, dá para consultar restrição do IMEI pelo atendimento.
- Boletim de ocorrência — alguns estados publicam consulta de objeto furtado na delegacia eletrônica. Varia de estado para estado.
- Nota fiscal — peça a nota de compra original. Nome do comprador, modelo e IMEI devem bater com o que está na sua mão.
3. O que fazer no momento da compra
- Encontre a pessoa em local público com câmera, de preferência dentro de um shopping ou de uma delegacia com posto de apoio.
- Coloque o seu chip no aparelho e faça uma ligação de teste. Se não registra na rede, desconfie.
- Fotografe o documento do vendedor e faça um recibo simples com nome, CPF, modelo, IMEI, valor e data, assinado pelos dois.
- Pague de forma rastreável, com Pix ou transferência para a conta da mesma pessoa que assinou o recibo.
- Desconfie de preço muito abaixo do mercado, pressa para fechar e recusa de encontro presencial.
4. Se você já comprou e descobriu depois
- Reúna recibo, conversas, comprovante de pagamento e os dados do vendedor.
- Registre boletim de ocorrência, inclusive pela delegacia eletrônica do seu estado. Comprador de boa-fé precisa desse registro.
- Procure o vendedor pedindo devolução do valor; sem acordo, o caminho é o Juizado Especial Cível.
- Se comprou em site ou marketplace, abra reclamação na plataforma e no consumidor.gov.br.
- Não tente revender o aparelho. Repassar bem que você já sabe ser de origem ilícita é receptação.
Perguntas frequentes
Bloqueio de IMEI tem volta?
Tem, quando o desbloqueio é pedido por quem registrou a ocorrência ou pelo dono comprovado, junto à operadora e à Anatel.
O celular funciona no Wi-Fi mesmo bloqueado?
Em geral sim. O bloqueio atinge a rede das operadoras, não a conexão Wi-Fi, o que engana muito comprador.
Nota fiscal em nome de outra pessoa é problema?
Não necessariamente, porque o aparelho pode ter passado por vários donos. Mas o vendedor precisa explicar a cadeia e assinar recibo.
Consigo consultar o IMEI antes de ver o aparelho?
Sim, peça o número ao vendedor e consulte antes. Confirme no encontro que o IMEI do aparelho é o mesmo que ele informou.
Comprei sem saber. Posso ser responsabilizado?
A boa-fé conta, e é por isso que recibo, comprovante de pagamento e boletim de ocorrência importam tanto. Já revender sabendo da origem é outra história.
Comprar sabendo que o aparelho é de origem ilícita, ou repassá-lo depois de descobrir, é receptação. Ao descobrir, registre boletim de ocorrência em vez de revender.