Golpe do falso sequestro por telefone: como agir
Não diga nomes e não confirme nada: o golpista usa o que você fala. Mantenha a linha e, em outro aparelho, ligue para a pessoa citada ou peça que alguém ligue. Não faça transferência. Se já enviou, avise o banco no mesmo dia, ligue 190 e registre boletim de ocorrência.
No falso sequestro ninguém está em poder de ninguém. A ligação usa grito ao fundo, som de choro e ordem para não desligar, e depende inteiramente de você entregar as informações que o criminoso ainda não tem: o nome do parente, a idade, a escola, o apelido. Sem isso, o roteiro desmonta em poucos minutos.
1. Durante a ligação
- Não diga nome nenhum. Se ele perguntar “sabe quem é?”, responda “não sei” e deixe que ele fale.
- Não confirme endereço, idade, escola, trabalho, apelido nem nada sobre a família.
- Peça para falar com a pessoa e faça uma pergunta que só ela saberia responder.
- Fale devagar e sem gritar. Ganhar tempo é o objetivo.
- Não vá a caixa eletrônico, não saia de casa e não siga instruções de deslocamento.
- Anote o número que apareceu na tela e o horário.
2. Por que eles acertam detalhes
- Muita informação está pública nas redes sociais: nome dos filhos, escola, viagem, rotina.
- Eles fazem muitas ligações por hora e aproveitam quem reage: a própria vítima entrega o nome.
- Números podem vir de listas vazadas ou de discagem em sequência.
- O grito ao fundo costuma ser gravação, sempre a mesma em vários relatos.
- Variações comuns: falso acidente, falso preso pedindo fiança e falso agente policial.
3. Se o dinheiro já foi enviado
- Ligue para o banco imediatamente e informe que foi fraude. Em Pix, pergunte pelo mecanismo especial de devolução.
- Ligue 190 e depois registre boletim de ocorrência na polícia civil, presencial ou pela delegacia eletrônica do estado.
- Leve número de origem, horário, comprovante, chave Pix e prints de qualquer mensagem.
- Se foi por transferência bancária, peça ao banco o registro da conta de destino para constar no BO.
- Avise os parentes citados, porque o mesmo grupo costuma ligar de novo.
4. O que combinar antes de acontecer
- Combine uma palavra de segurança na família, usada só em emergência real.
- Reduza o que é público nas redes: marcação de escola, rotina, fotos de uniforme.
- Cadastre os contatos mais próximos com mais de um número.
- Explique o golpe a idosos da casa, que são o alvo mais procurado, e deixe um bilhete perto do telefone com a orientação de não falar nomes.
Perguntas frequentes
Posso desligar na cara?
Pode. A ligação não indica risco real para ninguém. Desligar e confirmar onde a pessoa está é uma reação correta.
E se a voz for mesmo do meu filho?
Áudio pode ser copiado de vídeos publicados e imitado. Faça uma pergunta cuja resposta só a pessoa saberia e confirme por outro telefone.
Eles dizem que estão me vendo. É verdade?
Quase sempre é blefe destinado a impedir que você confirme a informação. Fale com quem está ao seu lado e peça a ligação de confirmação.
Devo avisar a polícia mesmo sem prejuízo?
Sim. O registro ajuda a mapear os números usados e não custa nada. A delegacia eletrônica do estado aceita esse tipo de relato.
Bloquear o número resolve?
Ajuda pouco, porque eles trocam de linha. Vale mais reduzir dados públicos e combinar a palavra de segurança na família.
Não faça transferência durante a ligação e não saia de casa seguindo instruções. Depois do Pix enviado, a chance de recuperação cai muito.