Como sair das dívidas com agiota
Escrito por Bruno Rodrigues Medeiros
Se houver ameaça, procure a polícia primeiro. Guarde conversas, comprovantes e dados do agiota, registre boletim de ocorrência e busque orientação na Defensoria Pública. A usura, que é cobrar juros acima do permitido, é crime pela Lei nº 1.521/1951.
Dívida com agiota é diferente de dívida com banco: costuma ter juros muito altos, cobrança sem contrato e, às vezes, ameaça. A saída começa por segurança e provas, antes de pensar em pagar.
1. Primeiro, a segurança
- Chame a polícia pelo número de emergência se houver ameaça, perseguição ou violência. Cobrança com ameaça é caso de polícia.
- Evite ir sozinho a encontros de cobrança e avise alguém de confiança.
- Recuse entregar cartão, senha, documentos, chaves ou bens como garantia.
- Evite assinar papel em branco ou promissória que você não leu.
2. Guarde as provas
- Salve conversas, áudios e mensagens sem apagar nada e faça cópia fora do celular.
- Reúna os comprovantes de tudo que você já pagou: Pix, transferências e recibos. O extrato do banco mostra datas e valores.
- Anote quanto você recebeu, quando e que juros foram combinados.
- Guarde nome, apelido, telefone, conta ou chave Pix de quem cobra.
- Anote quem presenciou cobranças ou ameaças.
3. Entenda o que a lei diz
- Saiba que a Lei nº 1.521/1951 trata a usura como crime (art. 4º): cobrar juros acima da taxa permitida por lei ou obter lucro que passe de um quinto do valor da prestação, aproveitando-se de necessidade urgente, inexperiência ou leviandade.
- Veja que a pena prevista é de detenção de seis meses a dois anos, mais multa. Quem intermedia a operação também pode responder.
- Lembre que isso é informação, não decisão sobre o seu caso. Quem avalia se houve crime é a polícia e a Justiça.
4. Registre e procure orientação
- Registre boletim de ocorrência na delegacia, levando as provas. Em alguns estados o registro também pode ser feito pela internet.
- Procure a Defensoria Pública, que costuma orientar sem custo quem não pode pagar advogado.
- Peça ao defensor ou advogado que avalie o que você já pagou e o que ainda é cobrado.
- Comunique à polícia qualquer nova ameaça depois do registro, com as mensagens.
5. Como não voltar ao agiota
- Liste tudo que você deve e some a renda do mês para ver o que sobra depois do essencial.
- Compare o total a pagar antes de buscar crédito em banco, cooperativa ou financeira autorizada.
- Desconfie de quem cobra antes para “limpar” ou liberar crédito.
- Monte aos poucos uma reserva, mesmo pequena, para o próximo imprevisto.
Perguntas frequentes
Usura é crime?
Sim. O art. 4º da Lei nº 1.521/1951 define a usura como crime, com pena de detenção de seis meses a dois anos e multa. Quem avalia cada caso é a polícia e a Justiça.
O agiota me ameaçou. Devo pagar para ele parar?
Antes de pagar qualquer valor sob ameaça, registre a ocorrência na delegacia e procure orientação jurídica. Guarde as mensagens e comprovantes.
Já entreguei documentos ou cartão como garantia. E agora?
Informe isso no registro da ocorrência, avise o banco para bloquear o cartão e troque as senhas. Acompanhe o uso do seu CPF nos meses seguintes.
Como denunciar sem me expor?
Procure a delegacia ou a Defensoria Pública e explique o seu receio, levando as provas. Em alguns estados é possível registrar a ocorrência pela internet.
Posso negociar direto com o agiota?
Negociar sozinho aumenta o risco se houver ameaça. Se decidir pagar, use Pix ou transferência, peça recibo escrito e procure orientação jurídica antes.
Se houver ameaça ou violência, a prioridade é a segurança sua e da sua família: procure a polícia. Não entregue cartão, senha nem documentos como garantia.
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