O que fazer quando os seus dados vazaram
Dado vazado não volta atrás — o que dá para fazer é fechar as portas que ele abre. Troque primeiro a senha do e-mail principal e ligue a verificação em duas etapas nele, no banco e no WhatsApp. Depois passe a vigiar o seu CPF e trate como golpe toda ligação que já chega sabendo seus dados.
Quando nome, CPF, telefone e endereço aparecem numa lista vendida por aí, o risco não é o dado em si: é o que se faz com ele. O criminoso liga sabendo seu nome completo, sua agência e sua última compra, e usa isso para parecer o banco. A defesa é trocar o que ainda pode ser trocado e desconfiar do que não pode.
1. Na primeira hora
- Troque a senha do e-mail principal antes de qualquer outra. É por ele que se recupera todo o resto.
- Ligue a verificação em duas etapas no e-mail, no banco, no WhatsApp e nas redes sociais.
- No WhatsApp, cadastre um PIN de seis dígitos em Configurações → Conta → Confirmação em duas etapas.
- Se você repetia a mesma senha em vários sites, troque em todos. Uma senha vazada é testada automaticamente em dezenas de serviços.
- Encerre as sessões abertas nos aplicativos: quase todos têm uma lista de dispositivos conectados.
2. Feche o lado financeiro
- Confira, no aplicativo do banco, se existe chave Pix, empréstimo ou cartão que você não reconhece.
- Entre no Registrato, do Banco Central, com a conta gov.br, e veja todas as contas, chaves Pix e empréstimos abertos no seu CPF.
- Peça ao banco o bloqueio preventivo do cartão se ele circulou junto com os dados.
- Consulte o seu CPF nos birôs de crédito para ver dívidas e consultas recentes.
3. Registre o que aconteceu
- Guarde prints do aviso de vazamento, da mensagem suspeita ou da cobrança estranha.
- Cobre a empresa que vazou: ela é obrigada a informar o que saiu e a corrigir. O pedido pode ser feito pelo canal de atendimento, por escrito.
- Se ela não responder, registre reclamação na ANPD e no consumidor.gov.br.
- Havendo prejuízo ou uso do seu nome, faça boletim de ocorrência. Ele é o documento que sustenta a contestação depois.
4. Se já usaram os seus dados
- Conteste por escrito, com o número de protocolo, a conta ou o contrato que não é seu.
- Exija a baixa da negativação e a cópia do contrato assinado — a empresa precisa provar que foi você.
- Registre no consumidor.gov.br e leve o caso ao Procon se a resposta não vier.
- Avalie o Juizado Especial Cível, que aceita causas menores sem advogado.
Perguntas frequentes
Dá para tirar meus dados de circulação?
Não de uma lista já vendida. Dá para pedir exclusão a cada empresa que os guarda, o que é gratuito, e reduzir o estrago trocando senhas e ligando a verificação em duas etapas.
Preciso trocar de CPF?
Não. O CPF não muda por vazamento. O que se faz é acompanhar o que abrem no seu nome e contestar o que não é seu.
A empresa é obrigada a me avisar?
Sim, quando o vazamento pode gerar risco relevante ao titular, ela deve comunicar você e a ANPD.
Vale a pena pagar monitoramento de CPF?
Existe versão gratuita nos aplicativos dos birôs de crédito e no Registrato do Banco Central. Compare antes de assinar qualquer plano.
Recebi ligação com meus dados corretos. É golpe?
Trate como golpe até provar o contrário. Dados corretos hoje provam pouco, porque circulam em listas vazadas.
Depois de um vazamento, aumentam as ligações que já sabem seus dados. Nenhum banco pede senha, código de aplicativo ou transferência para conta de segurança.