Enviei foto dos meus documentos a um golpista: o que fazer
Pare de responder e não envie mais nada. Avise o banco, ative a verificação em duas etapas no e-mail, no WhatsApp e na conta gov.br, e registre boletim de ocorrência — é ele que sustenta qualquer contestação depois. Nas semanas seguintes, monitore quem consulta o seu CPF e o que aparece em seu nome.
Foto de documento na mão de golpista serve para abrir conta, pedir crédito, assinar plano e se passar por você em atendimento por telefone. Não existe como “cancelar” um documento que já foi enviado, mas dá para fechar as portas mais usadas e vigiar as que sobram. O que muda o resultado é começar hoje.
1. Nas primeiras horas
- Pare de responder e não envie mais nada: nem selfie, nem código, nem comprovante.
- Salve a conversa inteira, o número, o perfil e qualquer conta ou chave que ele tenha passado.
- Avise o banco de que seus documentos foram expostos e peça atenção a pedidos de crédito e a troca de cadastro.
- Ative a verificação em duas etapas no e-mail, no WhatsApp e na conta gov.br, e troque as senhas.
- Avise a família: o passo seguinte do golpista costuma ser se passar por você com quem te conhece.
2. Registrar a ocorrência
- Faça boletim de ocorrência na polícia civil, presencial ou pela delegacia eletrônica do seu estado.
- Descreva o que foi enviado: RG, CNH, CPF, comprovante de residência, selfie segurando documento.
- Anexe os prints com data e hora, e informe como o contato começou.
- Guarde o número: ele é o documento que você vai apresentar para contestar qualquer contrato feito em seu nome.
3. Monitorar por algumas semanas
- Cadastre-se nos birôs de crédito e ative o aviso gratuito de consulta ao seu CPF.
- Peça no Registrato, do Banco Central, os relatórios de contas, de operações de crédito e de chaves Pix. O acesso é feito com a conta gov.br.
- Confira se há negativação ou dívida que você não reconhece.
- Repita a checagem por algumas semanas: fraude com documento costuma aparecer depois, não no mesmo dia.
- Olhe também o Meu INSS e o extrato do FGTS, onde aparecem consignados e saques.
4. Se aparecer algo em seu nome
- Conteste por escrito com a empresa, informando que não houve contratação, e peça cópia do contrato e dos documentos usados.
- Exija o cancelamento, a devolução de valores cobrados e a retirada da negativação.
- Guarde protocolo, data e nome do atendente em cada contato.
- Sem solução: ouvidoria da empresa, consumidor.gov.br, Procon e, sendo banco, o Banco Central.
- Leve o número do boletim de ocorrência em todas as reclamações.
Vale tirar a segunda via do documento só quando ele foi perdido ou roubado de fato. Se você apenas enviou a foto, o número continua o mesmo e a proteção vem do monitoramento, não de trocar o papel.
Perguntas frequentes
Preciso tirar segunda via do RG?
Se o documento físico não foi perdido nem roubado, o número segue o mesmo e a segunda via não impede fraude. A proteção está em monitorar o CPF e contestar o que aparecer.
Só mandei a foto, sem selfie. Ainda é risco?
É menor, mas existe. Muitos cadastros exigem selfie ou prova de vida; ainda assim, a imagem do documento basta para tentativas de cadastro e de golpe contra seus contatos.
Dá para bloquear o meu CPF?
Não existe bloqueio oficial de CPF contra fraude. O caminho é o alerta gratuito nos birôs, a checagem no Registrato e a contestação por escrito do que não for seu.
Abriram conta em meu nome. Quem resolve?
A instituição que abriu a conta. Conteste por escrito, peça o contrato e os documentos usados, registre boletim de ocorrência e, sem solução, leve ao Banco Central.
Quanto tempo devo ficar atento?
Mantenha a checagem por algumas semanas e refaça de tempos em tempos. Dados vazados circulam e podem ser usados bem depois do contato original.
Perfil que promete limpar o seu nome ou bloquear o seu CPF mediante Pix é o segundo golpe. Consulta e contestação são gratuitas nos canais oficiais.