Como evitar golpe na compra de um veículo usado
Antes de pagar, consulte no Detran do estado se o veículo tem multa, IPVA atrasado, alienação ou restrição, e confira se o chassi do carro é o mesmo do documento. Pague só depois da vistoria, e nunca dê sinal antes de ver documento e veículo juntos. Dívida de veículo segue o bem, não o antigo dono.
Comprar usado é comprar também o passado do veículo: multa, imposto atrasado, financiamento em aberto e histórico de batida ficam grudados no carro, e passam para você na transferência. Por isso a conferência vem antes do dinheiro, sempre — e boa parte dela é gratuita.
1. Os documentos que você precisa ver
- CRLV-e do ano, com o nome do vendedor. Se o nome é outro, o carro já foi vendido antes e não transferido.
- Documento de identidade do vendedor, para comparar com o nome do CRLV.
- Se houver financiamento, a carta de quitação ou a baixa da alienação já registrada.
- Se o vendedor é procurador de outra pessoa, a procuração com firma reconhecida — e desconfie.
2. As consultas antes de pagar
- No site do Detran do estado de registro, consulte por placa e Renavam: multas, IPVA, licenciamento, restrição judicial ou administrativa e alienação. O caminho muda de estado para estado, mas todos têm consulta pública.
- Veja se aparece “baixa por sinistro”, “recuperado de leilão” ou “remarcação de chassi”. Nada disso impede a venda, mas derruba o valor e dificulta seguro.
- Confira o CPF do vendedor e o endereço: nome que não bate com o do documento é sinal de intermediário escondido.
- Cheque se existe gravame ativo. Carro com financiamento em aberto não transfere.
3. A vistoria e o carro em si
- Compare o número do chassi gravado no veículo com o do documento, letra por letra. Veja também o motor e os vidros.
- Leve o carro a uma vistoria cautelar independente, escolhida por você e não pelo vendedor.
- Repare em folga de porta, pintura com tom diferente e parafuso já mexido — indícios de batida forte.
- Confira a quilometragem contra o histórico de revisões.
4. Como pagar e transferir
- Feche o valor por escrito, com dados do carro, do vendedor e do comprador.
- Pague na hora da entrega, conferindo nome e CPF do recebedor na tela do banco.
- Receba o ATPV-e assinado, que é o documento eletrônico de transferência.
- Faça a transferência para o seu nome no Detran assim que possível: enquanto ela não sai, multa continua chegando no nome antigo e o débito acumula.
- Guarde comprovante de pagamento, anúncio e conversa.
5. Se descobriu o problema depois
- Cobre o vendedor por escrito, com prazo, pedindo a quitação do que ficou pendente.
- Se comprou de loja, registre no consumidor.gov.br e no Procon: aí existe relação de consumo e garantia legal.
- Se foi fraude com documento falso ou carro inexistente, faça boletim de ocorrência na delegacia eletrônica do seu estado.
Perguntas frequentes
Comprei de pessoa física. Tenho garantia?
Não a garantia do Código de Defesa do Consumidor, que vale para vendedor profissional. Entre pessoas físicas, o caminho é cobrar vício oculto na esfera civil.
As dívidas do carro passam para mim?
IPVA, multa e licenciamento são ligados ao veículo, então acompanham o bem. Por isso a consulta de débitos vem antes do pagamento.
Vale pagar vistoria cautelar?
Costuma valer, por ser barata perto do prejuízo de um chassi remarcado ou de um carro recuperado de sinistro. Escolha a empresa você mesmo.
O vendedor pediu para deixar no nome dele. Pode?
Não é recomendável. Sem transferência, você não prova a propriedade e o antigo dono responde por multas que você cometer.
Como sei se o carro tem financiamento?
A consulta do Detran mostra a alienação fiduciária. Enquanto ela existir, a transferência não é liberada.
Consulta de débitos e restrições é gratuita no site do Detran. Site que cobra para mostrar isso está vendendo informação pública.